
O palco está vazio e escuro. E é sempre da escuridão que bailaores e cantaora vão surgindo para uma luz que ilumina sobretudo os braços, as mãos, a cara, que sobressaem dos fatos escuros. A eletrónica suave dos aparelhos de Artomatico, em conjunto com o cante de Sandra Carrasco, fazem a música. A cantaora evolui em torno da velha crueza da poesia popular, enviando uma mensagem que marca o mais primitivo e emotivo tom da comunicação entre os homens.
Chame-se-lhe flamenco contemporâneo, com grande influência da linguagem da dança contemporânea, ou chame-se mesmo dança contemporânea em torno do flamenco, trata-se de uma criação muito bela que se insere nos novos caminhos que o flamenco já há alguns anos anda a explorar.
Flamenco contemporâneo, sim, mas também flamenco tradicional, improvisado no baile e no canto, com a força que em parte os liga à terra e em parte os ergue aos céus, e a nós com eles.
Direção artística e coreografia Rafael Estévez, Valeriano Paños, Antonio Ruz Direção musical Artomatico Dança Valeriano Paños, Antonio Ruz, David Coria Canto Sandra Carrasco Música Artomatico Desenho de luzes Agnethe Tellefsen Figurinos e adereços Daniela Presta Luzes Agnethe Tellefsen Som Chipi Cacheda Direção técnica Agnethe Tellefsen Produção Estévez / Paños Y Compañía Distribuição internacional Aurora Limburg